sexta-feira, 1 de junho de 2018

Fotógrafos pedem contratação de segurança para ensaios de casamento, por medo de assaltos

Foto Paula Leite

Casos de violência contra fotógrafos e os noivos em Fortaleza fizeram as agências cobrar um serviço extra, com segurança para os profissionais 
A insegurança vem ditando não só o ritmo de vida das pessoas, mas também de diversos profissionais. Muitos fotógrafos de casamento de Fortaleza, por exemplo, vêm solicitando aos clientes a contratação de seguranças para o momento das sessões, que nem sempre se dão em locais tidos seguros. A despesa a mais no orçamento do evento tornou-se necessária na lista dos noivos. 

A fotógrafa Paula Leite passou a fazer o pedido após um ensaio que fez em 2015, quando ela e os clientes foram abordados por um bandido. No entanto, o noivo, que era policial, contornou a situação. 

“Já tivemos vários colegas assaltados. Levaram o equipamento, além dos celulares e alianças dos noivos. Diante dessa instabilidade e visando fazer um trabalho de melhor qualidade, dependendo do local escolhido pelo cliente, existe um custo a se arcar com segurança. Assim conseguimos trabalhar um pouco mais tranquilos”, disse a fotógrafa. 

A profissional conta que precisou fazer seguro para os equipamentos, mas que isso não é motivo para tranquilidade. Paula relembra que já chegou a escapar de assaltos outras duas vezes, graças a presença de um segurança, que ela defende ser necessária para realização de um bom trabalho. 

“Se morássemos em um país mais tranquilo, com certeza isso não seria necessário. O melhor a fazer para nós e para os noivos que querem fotos bacanas é contratar segurança mesmo. Sempre explico que existe um custo-benefício. 90% dos locais privativos que os clientes optam por fotografar também cobram taxa. Taxa essa que varia entre R$ 250 a R$ 3.000. Contratar o segurança sai mais barato, e eles podem fazer o ensaio em locais inusitados e diferentes, o que acaba sendo um bônus pra eles”, revelou a fotógrafa. 

Compreensão da clientela 

Lis Lima contratou um ensaio pré-casamento e antes da assinatura do contrato com a fotógrafa, já foi informada que, em alguns locais, exigiam a contratação de um segurança por conta dos casos de assalto. Ela recebeu sugestão de lugares em que não seria necessário o serviço, mas optou por fazer as fotos no Porto das Dunas, em um lugar mais afastado. 

“Entendi o lado deles. Não me pegou de surpresa, porque eu já tinha visto casos de fotógrafos que foram assaltados na Praia de Iracema, levaram todo o material deles, que por sinal é caríssimo. Acho que muitos profissionais hoje em dia fazem esse tipo de exigência. Não foi um fator que me fez repensar em contratá-los”, explicou a cliente, que gastou cerca de R$ 120 a mais pelo serviço do segurança para o ensaio que durou quatro horas. 

Segurança é item básico no checklist 

Assessora e cerimonialista de casamentos, Kellyanne Morais diz concordar com o pedido de um segurança para as sessões. Ela conta que faz parte do trabalho prever tudo o que pode ocorrer no evento, inclusive algum episódio de violência. 
“Uma sessão de fotos em estúdio é tranquila. Agora, se o cliente resolve fazer as fotos num local público, concordo com o pedido do fotógrafo por um segurança. É uma medida protetiva não só para o fotógrafo, não só pensando no equipamento dele, mas também pensando na segurança dos clientes”, explica a empresária. 

Kellyanne conta que, em janeiro 2016, quando começou a empresa, não tinha segurança como item essencial no checklist para realização de casamentos. No entanto, isso mudou. 
“Hoje é essencial. Tenho batido nessa tecla de mostrar a necessidade de uma equipe de segurança para o evento. Tem que ser visto como serviço que vai agregar, não como gasto. Isso gera pelo menos uma sensação de segurança, que já é válido. Está como item essencial para ser colocado no orçamento geral desde o início”, conta a assessora. 

Via Tribuna do Ceará

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